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O fim do ser humano
Começa no início da Vida
Tudo tem um princípio
Obedece sempre a um plano
Tal como uma avenida comprida
Mesmo que nos conduza ao precipício
Uma Vida que para uns tem sentido
Para outros não passa de tempo perdido
Todos a vivem ou deixam passar
Quantos sem a terem vivido
Choram e renovam o pedido
Para não arcar com o seu pesar
A vida tem princípio e fim
É a única certeza indesmentível
Quando eu era jovem já sonhava ser homem
Mas não passava de um garoto a pensar assim
Quando chegou essa idade temível
Pensei: quero que como tal me tomem
Como nos enganamos sem saber
Tanto no pensar como no viver
Percorri tantos anos de ilusões latentes
Sentia o vigor e a alma do querer
Tantas vezes não me soube conter
E aceitar a luta da vida como os valentes
Agora que me dirijo para o fim do caminho
Relembro o tempo intensamente vivido
Não há travessas, becos ou curvas
Que me impeçam de seguir certinho
Sempre num único sentido
Navegando por águas límpidas e nunca turvas
Este espaço de tempo a que damos Vida
É longo para quem não o sabe viver
E curto para os que o conseguem gozar
Uma coisa é certa e compreendida
Não sabemos como sobreviver
Para além deste terreno lugar