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O poeta é humano, mas livre e sem peias
A sua liberdade voa com a volúpia dos ventos
Apenas fica aquém da vontade do Deus Criador
Por que é um ser centrado na procura de panaceias
Apesar disso pode esquecer tais momentos
E ter ele próprio o papel de homem libertador
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Sou pobre de condição que humilde poeta encarna
Não tenho desejos de riqueza, lisonja ou afins
Sinto e desfruto da felicidade do pensamento
Com ele tudo alcanço, pois dele tudo emana
Tanto posso estar ao lado dos anjos Serafins
Como sentir o demónio enquanto tormento
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A força dos poderosos deixa-me indiferente
Eles não podem vergar a minha imaginação
Não sinto ódio, só pesar pela sua desdita
Seu domínio tudo arrebata sem deixar semente
Esquecendo as enormes ondas de indignação
Dos atingidos pela sua acção maldita
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A felicidade deste mundo é ténue e passageira
Mas todos nós a buscamos desenfreadamente
Há pessoas com a ilusão de que a encontraram
Eu sinto a poesia como uma suave passadeira
Pela qual posso atravessar a margem placidamente
Ao encontro da vida que outrora me prometeram
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O poeta diz o que sente ou aquilo que pensa
Pode ser a verdade ou utilizar a imaginação
Usa a escrita como arma ou princípio de paz
A sua liberdade assumida tudo condensa
O que escreve pode não passar de ficção
A arte da escrita está no segredo daquilo que faz
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A liberdade do poeta é única e intransmissível
Só ele tem o coração pronto para a albergar
O seu dom está na transmissão dos sentimentos
Por amor e para o amor, eu sou fiel e sensível
O meu espaço de liberdade será sempre um aconchegar
Para os que anseiam pelo amor em todos os momentos