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O horizonte cingiu-se de tons dourados
Com uma réstia de sol a espraiar-se nas águas
Caminho ao longo da praia vagarosamente
Piso a areia fina com mil cuidados
Oiço a água límpida a embater nas fragas
Como pensamentos vagos na minha mente
Perscruto o por do sol no horizonte
Sinto o doce afagar das águas tépidas
Meus pés estão cansados de tanto calcorrear
Começo a sentir suores na fronte
Foi das longas e vertiginosas corridas
Para melhor sentir a brisa do mar
Por momentos deixo-me enlear
Pelo mavioso chilrear das aves nas margens
Enquanto a vegetação se verga ao poder do vento
Meus sentidos captam os ruídos do mar
Em terno e saudoso lamento pelas virgens
A quem concedeu o último momento
Olhando para trás só avisto o areal
Vazio de pessoas que chegaram ao amanhecer
Foi um dia pleno de vida a fervilhar
Movimentos contínuos de um vaivém real
Em lugar aprazível para permanecer
Mas onde agora me encontro isolado a meditar
Sentado e de olhar fixo no por do sol
É a minha posição preferida para reflectir
Penso naquelas crianças mais desvalidas
De todos os continentes e cores sem rol
Que da vida apenas tiveram o porvir
Pois continuam a ser totalmente esquecidas
Como o ser humano é ingrato com o semelhante
Todos ansiamos por maior e melhor bem-estar
Mas olvidamos aqueles que nada têm
Orgulhamo-nos de pertencer à classe pensante
E não somos capazes de soletrar
O verbo amar a favor de outrem